sábado, 10 de março de 2012

Há palavras que Nos beijam

Hoje acordei capaz de citar quase todo um poema que me acompanhou durante a adolescência, escrevia-o em qualquer lugar e lia-o a qualquer hora…É lindo, pronto, e não há muito mais a dizer.

“Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.”

Alexandre O'Neil, in No Reino da Dinamarca

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